Depois de três dias seguidos de ventania e chuva, foi uma benção iniciar um pedal com frio de 9°C, mas sem ventos. Fora que a região de Itero de La Vega e do Canal de Castilla é maravilhosa.

Às 9:19h da manhã deste dia frio, Itero de la Vega ainda recendia a chuva e umidade. Saindo da cidade, entretanto, o tempo foi se firmando e o céu abrindo rapidamente, revelando afinal um tão esperado dia de primavera, cheio de luz e cores. Veja os contrastes dessas imagens, obtidas entre 9:25 e 9:40 da manhã, no trajeto em direção a Boadilla Del Camino:

Peregrinos caminham no frio, 9:25h
Bia e peregrinos na estrada, alguns momentos depois
Colinas fotogênicas no horizonte, 9:33h
Diálogo de formas, 9:36h

Um ponto de sol no campo arado, 9:40h (duas fotos acima)

Todo este caminho até Frómista é simplesmente lindo! São campos cultivados em meio a suaves colinas, com flores e árvores a todo lado.

Árvores ladeando o Camino, na altura de Boadilla Del Camino
Papoulas e outras flores, num campo em descanso
Construções isoladas à borda de um campo cultivado

Passa-se pela pequena Boadilla Del Camino com suas fazendas, o feno colhido, os animais de criação.

Fardos de feno e cavalo, em Boadilla Del Camino
Caixa-d’água e velhos implementos agrícolas, em Boadilla Del Camino

E chega-se, então, ao incrível Canal de Castilla, uma obra admirável de engenharia, construída entre a segunda metade do século XVIII e primeira do XIX, que se estende por incríveis 207km, através das províncias de Burgos, Palencia e Valladolid, e que é utilizado até os dias de hoje para irrigação.

Vista do Canal de Castlla, à altura de Boadilla Del Camino
Vista do Canal de Castilla, alguns quilômetros antes de Frómista
Edifício de operação do Canal de Castilla
Trecho de mudança de cota do canal
Pequeno reservatório, próximo à ponte que utilizamos para cruzar o canal

Em Frómista, nos divertimos com uma cegonha, que fez seu ninho sobre uma espécie de poste de ferro, e penteava as penas, ignorando o movimento da rua, abaixo.

Na parte urbana de Frómista, nada especial a registrar, exceto a grande igreja de estilo românico, que parecia se preparar para um casamento, a julgar pelo caminhão que se encontrava estacionado junto a uma entrada lateral.

No vilarejo de Poblacón de Campos, paramos num pequeno bar, para tomar café e usar os banheiros. O dono ficou conversando conosco e descobrimos que era um colecionador de cédulas de dinheiro do mundo afora. No final ele se ofereceu para bater uma foto da gente e acabou participando de um selfie.

A partir de hoje, começamos a ver mais bikes no Camino, inclusive um ou outro grupo de ciclistas. A quantidade de brasileiros caminhantes, muitos identificados por bandeirinhas nacionais nos chapéus, bonés ou mochilas, também tem aumentado significativamente. Parece que a diminuição da distância e o apelo de uma experiência paulocoelhina de menor duração são apelos fortes. E, elocubrações à parte, eis que cruzamos o rio Ucieza, que viemos acompanhando por algum tempo, por uma bela ponte de pedra, e viramos para os lados de Villarmentero de Campos.

Ponte sobre o rio Ucieza
Cena da estrada que nos levou a Villarmentero de Campos

Numa parada eventual—não contem para ninguém: para fazer xixi—encontrei um sujeito grudento, atravessando a estrada!

E, assim passamos por Villarmentero de Campos, que nada nos deixou a mencionar, senão o belo céu, e seguimos para Villalcázar de Sirga, destacada pela antiga e bela igreja de Santa Maria La Blanca, que apreciamos bastante.

Igreja de Santa María La Blanca

Detalhes da entrada da igreja Sta María La Blanca
Altar principal
Nave da igreja

Em Villalcázar de Sirga, também encontramos um velho peregrino:

E com esse incentivo, seguimos a Carrión de Los Condes para o almoço, que foi bem especial, porque pedi—e comi—ovos com jija e fritas, sendo que jija é uma espécie de picadinho preparado com chorizo, ou seja, linguiça de sangue. Delícia! Fora o passeio por esta bela cidade, em clima de primavera.

Andorinhas fazem a festa, na entrada de Carrión de Los Condes
Velha igreja
Praça central, ou seja, Plaza Mayor
Altos-relevos na fachada do museu da cidade

Depois veio muita estrada reta e plana, maravilha, sem vento! E fomos, rapidamente, passando por terras da própria Carrilón de Los Condes,…

De Bustillo Del Páramo de Carillón,…

Da pequena Cervatos de La Cueva,…

De Ledigos,…

E de Lagartos,…

Antes de chegar a Moratinos, nosso destino deste longo e prazeroso dia.

Igreja na Plaza Mayor de Moratinos

Logo na entrada da cidade de Moratinos, dois fatos curiosos se passaram.

O primeiro diz respeito à hospedagem. A primeira propriedade que se encontra, ao chegar à cidade, é um hostal, com aparência imponente, grama artificial sob toldo na frente, mas sem nada de especial quanto às comodidades oferecidas, e caro para os padrões da região: 50€ por um quarto de casal, sem calefação. Recusamos e, seguindo um pouco à frente, após a Plaza Mayor, achamos um albergue bem simpático, pelo qual a Bia logo simpatizou. Oferecia as mesmas comodidades e o curioso nome de Hospital San Bruno, por 38€, incluído o folclore do dono italiano, paramentado com seu vistoso toque blanche, que servia os pratos simples do menu peregrino, descrevendo-os como se fossem sofisticadas iguarias da cozinha internacional. Muito simpático e engraçado.

Outro fato deveras curioso foi a estranha colina que havia logo antes de se entrar na cidade, que parecia mesmo uma aldeia de hobbits, saída dos livros do Tolkien.

Na verdade, como explica a placa que se vê na primeira foto acima e reproduzo no detalhe, abaixo, trata-se de uma colina comunal, onde cada família da cidade mantém sua bodega, um local fechado, onde se mantém temperatura constante, para armazenagem do vinho, queijos e outras produções caseiras, para consumo mais duradouro.

Foi nesse dia também que notei, após descalçar, uma dor sutil, mas pronunciada, no tornozelo esquerdo. Adiante, isso será motivo de outras preocupações e comentários.

Resumo do dia 9 – Caminho de Santiago

Percurso: de Itero de La Vega a Moratinos

Distância e ganho de elevação: 63,7km com 367,8m de ganho de elevação

Um longo dia de pedal.

Até amanhã!

2 comentários sobre “11 de maio de 2.019 – 9° dia – Caminho de Santiago

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